17 de jul. de 2010

Canto à Liberdade!


Todo ser é dotado de um Universo livre!
Ninguém é dono de ninguém.
Só a liberdade compreende o sentido da vida,
Colocando à prova,
A capacidade estrutural do ser humano,
Despontando o real conhecimento sobre si mesmo.
A possessividade é o traço da insegurança,
O desvio moral da autoconfiança,
Onde o medo é capaz de sufocar outro ser,
De ditar, refutar, enlouquecer...
Quero liberdade de ir e vir,
Liberdade para amar,
Para expor o que eu sentir!

18 de mai. de 2010

Eu flor


Flores novamente...
Para ele: prova de sentimento;
Para mim: puro ornamento.
Não que eu não tenha ficado contente,
Flor arrancada da planta
Por um momento alegra,
Encanta...
Mas sem raiz vai para dentro d’água...
Leva uma vida curta,
Molhada,
Murcha...
E nunca mais se levanta!
Me sinto flor arrancada da planta.

10 de mai. de 2010

Trago


Trago na memória
Lembranças sujas
Da nossa história.
Trago...
Toda a fumaça podre do passado
De um país explorado,
Saqueado,
Catequizado,
Aculturado...

Trago...
Toda a fumaça podre do passado
De política escravocrata...
Libertação!
A miséria é um câncer que se alastra.
Democracia?!... Tardia...
Constituição...
As bitucas se espalham pelo chão...
Sujeira,
Poluição.

Trago...
Toda a fumaça podre do passado...
Direitos outorgados
Cassados,
Censurados...
Política de Estado Novo...
Ditadura para o povo!
Nação desesperançada
Espera por socorro...

Varre!
Varre vassourinha!
Varre as bitucas espalhadas,
Ajunta num canto da calçada
Onde tudo se espalha de novo!
Falta-me o ar...
Novo golpe militar!...

Trago...
Toda a fumaça podre do passado
Do medo instaurado,
De gente aprisionada,
Torturada,
Tragada...
De famílias esfaceladas,
Da liberdade cerceada...

Trago...
Trago toda essa fumaça presente...
Guardo tudo em minha mente
Pra não me esquecer do passado,
Do meu povo ferido,
Entorpecido,
Abandonado...
Jogado no abismo
Do capitalismo!

São promessas de um novo rumo...
O combate contra o fumo!
Mas ainda trago...
E me engasgo com o pigarro...
Enquanto todos os dias
O governo acende o seu ultimo cigarro.

8 de mai. de 2010

Um privilégio


Do outro lado do telefone,
Com um ar de saudosa
Uma voz manhosa
Me pede colo,
Desabafa os seus problemas...
Conheço bem sua personalidade,
Seus dilemas...
Foram anos de aliança
Transformados em amizade
E confiança.
Filhos como frutos
Das raízes fortes
Fincadas em fértil solo.
Também é repouso certeiro
Quando sou eu
Quem necessita de um colo.
Uma amizade verdadeira
Sem nenhuma segunda intenção.
Muitos não compreendem
Que hoje somos como irmãos.
Mas acreditem
Pois eu consigo
O privilégio de ter meu ex-marido
Como o meu melhor amigo.

6 de mai. de 2010

Minha verdade


Conheço a verdade irônica
De quem não abdica.
As armadilhas...
Conheço palmo a palmo este terreno...
Já lutei nas mesmas guerrilhas.
Conheço o seu segredo...
A postura forte de auto defesa
Enganando os próprios medos...
Hoje acredito que nada é por acaso
E evito entrar em disputas...
Contra as forças do destino,
Não existe luta justa.
Prefiro seguir a minha verdade
Não que essa verdade seja a certa,
Mas tenho a plena convicção
De que quem ama, liberta.

5 de mai. de 2010

Saindo de cena


Viver é uma arte
E o espetáculo tem que continuar...
Encerro a minha parte,
Saio de cena.
Às vezes a morte do coadjuvante
É extremamente necessária
Para que a vida siga adiante
E tenha um final feliz.
A única cortina a ser fechada,
São minhas retinas cansadas.
A morte é solitária e fria...
Mesmo para quem só fez uso do amor,
Da verdade e da poesia.
Fim do ato,
Ora de partir...
Parto.
O romper dói...
Mas abdico desse amor
E humanamente ferida
Sigo o curso da história
Para não mexer com o script da vida.
Apenas
saio
de
cena
Encerrando meu ato
Com este sincero poema.

4 de mai. de 2010

Ecos


Há ecos de vozes em minha cabeça
Que não permitem
Que eu ouça a mim mesmo.
Projetam vultos,
Fantasmas que limitam minha caminhada...
As vozes não me levam a nada!
Dúvidas entre o ser e o não ser,
Querer ou não querer,
Fazer ou esperar acontecer.
Há ecos de vozes em minha cabeça...
Todas querem ditar as regras do bem viver!
Padrões,
Ideologias sociais...
Enquanto eu,
Sei que só preciso me ouvir mais.

2 de mai. de 2010

Amor aos pedaços


Enquanto seu amor
Vier em pedaços,
Feliz, me satisfaço!
Porque pedaço
É partilha,
Divisão...
Mas se um dia,
Só chegar migalhas
Em minhas mãos;
Esfrio,
Desfaço,
Rompo esse laço...
Porque migalhas
Não cabe a um amor honesto.
Pedaço é pedaço,
Mas migalha
É resto.

28 de abr. de 2010

Tempos difíceis


Seus olhos já não têm a mesma luz...
O ar... pesa...
E momentaneamente só o tenho de corpo presente,
Enquanto sua mente passeia por interrogações...

Tempos difíceis...
Lidar com a morte,
Contar com a sorte,
Fugir dos furacões...

A paixão existe...
Persiste...
Mas adormece
Como os vulcões.

Nostalgia


Saudades de quando me beijava inteira,
Apertava-me com eloqüência entre os seus braços
E declarava sua paixão por mim...
Saudades das noites de amor sem fim
Onde na guerra contra o relógio
A falta de tempo sempre nos vencia
E todo o tempo do mundo nunca nos era o bastante...
Saudades de quando ouvir a voz era importante,
Da paixão desenfreada
Nutrida a todo instante...
Saudades...
Daquele amor inquieto e delirante.

26 de abr. de 2010

Germinando a poesia


Falta-me o ar...
Falta-me o chão...
Tento me segurar,
Acalmar meu coração...

Acendo um incenso...
Busco a minha paz,
Busco meu bom senso,
Tento não pensar mais...

Mas a sina de um poeta
É sentir e não calar
Mesmo que não haja seta
Nenhuma pra orientar.

Transbordo essa ansiedade
Que não cabe dentro de mim,
Torcendo pra que a saudade
Nos seus braços tenha um fim.

Coração quente...
Mãos rápidas e frias...
E esse amor se faz semente
Germinando a poesia.

24 de abr. de 2010

A espera...


É estranha essa vida...
Eu que tenho ao meu lado
A espera do primeiro gesto de afeição,
Homens que não quero,
Mas que me tem paixão.
E eu aqui...
A espera de um telefonema,
Uma ligação...
Da única voz
Que me desperta tal paixão.
Espero,
Espero,
Espero...
E enquanto espero,
Sonho...
E quando sonho,
Me liberto!
E livre,
Amo!
E amando,
Continuo esperando.

Relativa geografia


Que periferia é esta
Em pleno centro urbano?
Homens, velhos e meninos
Condenados ao abandono...
Crianças cheirando cola,
Dormindo na calçada fria...
Que periferia é esta
Desafiando a geografia?
Porque será que todo centro
Tem um pouco de periferia?

3 de abr. de 2010

Molhada!


Desejei a tempestade
Sem pensar nas conseqüências...
Agora?
Paciência...
Eu queria molhar-me inteira!
Isso não se consegue
Só com nuvens passageiras...
Choveu!
Choveu com grande freqüência...
Aquela chuva forte, intensa...
Tempestade!
Amor tempestuoso...
Que gostoso!
Agora está tudo molhado...
Perigoso...

Caminhada


Caminho na noite
Como quem anda disperso...
Seguindo o horizonte,
Abraçando o universo.

Nas asas do pensamento

Sigo em busca dos meus sonhos
Revivendo meus momentos
Em cada verso que componho.

Não carrego nenhum segredo...

Só quero aproveitar a vida
Sentir-me por ela acolhida,
Desprender-me dos meus medos.

E se a alma gêmea existir
Vou descobrir onde ela se esconde...
No caminho do ser feliz
Eu só quero chegar longe.

21 de mar. de 2010

Encontro



Encontrei...
e finalmente me encontrei!
Depois de achar que não encontraria mais,
encontrei alguém e mais...
Me encontrei nesse alguém.
Eu sempre tão atrevida,
aventureira assumida,
me encontrei!
Embora esteja completamente perdida...
Minha perdição?
A paixão.
Mas eu me achei!
Me achei no reflexo de outros olhos,
num caminho que não era meu,
no inicio de uma primavera
chorando o amor que não floresceu...
Encontrei!
Talvez tenha sido encontrada...
Quem há de explicar o por quê
nos encontramos naquela estrada?
Nos encontramos!
E nos encontrando,
continuamos...
e eu me sentindo assim:
perdida...
achada...
Nunca me senti tão encontrada!
e a cada dia que passa,
fica muito mais forte esse laço;
porque só me perdendo em você,
é que eu realmente me acho.

19 de mar. de 2010

Não quero mais



Lhe falar do o meu amor?
Pra quê?
Meu amor apenas lhe envaidece...
e quanto mais explícitos e verdadeiros
são os meus meus sentimentos,
mais sua indiferença me atormenta.
Quanto mais seguro te faço,
mais descartável me sinto.


Lhe falar do meu amor?
Não!
Para mim chega!
Não lhe interessa mais o que sinto.
Chega de esperar pela sua boa vontade...
agora me sentirei à vontade
para me entregar à quem de fato me der valor.

Chega de esperar pelo seu amor!
Chega!


De hoje em diante
não mais desejarei sentir seu cheiro
a embriagar-me a alma,
não mais me importarei quando sorrir
e transformar em festa o meu silencio,
não quero mais sentir seu gosto,
sua palpitação
sua pele,
sua transpiração...
Não!


Preciso lhe tirar de mim,
dar um basta de pensar primeiro em você,
por um fim.
Primeiro eu caralho!
Chega de te amar loucamente,
incessantemente,
inconsequentemente,
Chega!
Chega desse amor doente!

Lígia



Finalmente compreendi
a dualidade Shakespeareana!
"Plumas de chumbo"
condizem com suas frases
fortes, soberanas...


Guerreira, doce, espontânea...
diz que não é poeta,
mas dispara versos
como quem atira flechas
e ninguém como ela interpreta!


Quando solta sua voz,
mostra-se leoa feroz,
rugindo para despertar
o sono dos alienados.

Detalhes



Pequenas coisas
fazem grandes diferenças...
Detalhes que aos desatentos
são quase imperceptíveis,
invadem a vida como cupins...
Muitas vezes,
quando percebidos,
já é tarde demais.
E não importa quão frondosa seja a árvore,
nem a profundidade de suas raízes...
Qualquer tempestade de vento
pode leva-la ao chão.

28 de fev. de 2010

Às vezes...



Às vezes o desânimo e falta de fé
tomam conta do meu pensamento
como ervas daninhas,
sufocando as flores dentro de mim...


Às vezes não vejo luz no meu jardim...
Tudo fica sombrio como noite sem luar,
E até posso sentir o orvalhar
como açoite cortando-me a alma...


Às vezes não existe calma...
O coração bate descompassado,
enquanto o semblante já cansado,
se põe a sorrir tentando disfarçar.


Às vezes,
fica muito difícil sonhar...

19 de fev. de 2010

Esquecer




Talvez esquecer seja tão complexo,
que a tentativa de esquecer
tenha o peso da lembrança
em todos os passos do esquecimento.


Talvez o esforço de esquecer seja tão imenso,
que a imensurável lembrança
se faça presente a todo momento.


E talvez, as lembranças estejam tão vivas,
que na morte de alguma delas,
os fantasmas permaneçam...
trazendo novamente a tona
a lembrança de tudo o que foi vivido.


Talvez o esquecer não seja um dom espontâneo.
Seja apenas um desejo momentâneo
de se estancar o sofrimento.

15 de fev. de 2010

E agora José?



E agora José?
O tempo passou,
a paixão não findou,
o sentimento aumentou,
alguém vacilou,
a casa caiu...
nada morreu,
até ressuscitou,
e o que não completava
hoje transbordou?

E agora José?
Hoje está dividido,
cerceado, oprimido
e sem a liberdade
nada mais faz sentido.
Quer sair,
não consegue
quer falar
já não pode
as paredes tem ouvidos
e as lágrimas te comovem...

E agora José?
A festa acabou?
Nada adiantou,
a dor aflorou,
a raiva surgiu,
o amor não bastou,
livrou-se da culpa,
mas não perdoou,
pensou em deixar,
mas no fim se entregou...

E agora José?
Escolher já não queres
ama as duas mulheres
e pra se completar
tenta conciliar?
Relaxa José...
Não sejas tão duro!
Não precisa de chaves
quando se está no muro.
Segue a marcha José!
Sabes exatamente pra onde.

14 de fev. de 2010

Desbravando



Percorro os caminhos sinuosos o seu corpo...
completamente perdida...
Sem limites,
sem saída...
Banho-me na cascata de sua saliva
e me permito queimar
nas constantes erupções de sua região vulcânica.
Me sinto rodopiar em um turbilhão
quando me deixo levar pela correnteza de suas mãos...
Morro sem ar,
perco o chão...
e renasço novamente,
desbravando os caminhos da nossa paixão.

Enquanto você dormia...



Eu sonhava acordada enquando você dormia,
tamanha a felicidade em meu coração!
E o seu roncar me soava como uma sinfônia,
era a trilha sonora da satisfação!


Sabia que assim que acordasse você partiria,
mesmo com toda a força da minha oração...
e na esperança de prolongar minha alegria,
fiquei armazenando o seu cheiro em meu pulmão...


O relógio avançava com voracidade,
como um ditador do tempo cruel e insensível.
Sobre mim debruçava o peso da saudade,


anunciando o fim daquela noite aprazível.
Desejei ter em minhas mãos a eternidade
E ver meu sonho de amor tornado possível.

Passageira...



No passado fui permanente,
mas fui passada para trás...
Por isso decidi ser passageira,
e não me apegar mais.

Segui meu caminho...
passageira...
Como quem sai de viagem
apenas apreciando a paisagem.

Parando,
curtindo,
experimentando,
e partindo...

Passageira...
Quando gostava muito de algum lugar,
Sentia a necessidade de partir
só pelo medo de desejar ficar.

Fugindo do amor...
Como quem pega o trem da vida clandestinamente...
E tem que pular de vagão em vagão
tentando fugir do bilheteiro...

E fiz do meu presente,
sempre passageiro...
Denominando meu medo
de auto domínio, auto confiança...

Sem apego,
sem parada,
sem destino,
sem aliança...

Hoje, traída pelo meu próprio desejo,
Tenho um coração que apenas obedece ao que sente...
Já não ouve mais a minha razão
e insiste em fazer de mim permanente.

Abandono



...mais um dia passou
sem um gesto,
sem uma palavra...
A noite passou...
e nenhum gesto,
nenhuma palavra...
E assim a madrugada também chegou
sem nenhum gesto,
sem ao menos uma palavra.
Outro dia nasceu,
o sol sorriu,
um pássaro cantou,
mas nada nutriu,
nada acalmou...
Outro dia passou
e mais uma vez
o silencio se fez.
Nenhum gesto...
Nenhuma palavra...
O coração constrangeu,
Uma lágrima rolou...
Meus dias já não são os mesmos
depois que o amor se calou.

16 de nov. de 2009

Juntos


Quandopenso...
Estamosjuntos.


Quandosinto...
Estamosjuntos.


Quandoperto...
Estamosjuntos.



Quando


longe...


Estamosjuntos.

13 de nov. de 2009

Egoísmo


Minha poesia egoísta
Vomita minhas dores,
Fala dos meus temores,
Exalta os meus amores...

Me encontro perdida
Nesse meu pequeno e egoísta eu!
Ignorando os males do mundo,
Desse imundo e perdido mundo.

Como quem tenta tapar o cinza
Com cor de rosa.

Viver a loucura


Tolice é deixar a vida passar sã...
A loucura é que me faz segura de saber viver.
E o maior motivo que existe para se arrepender,
É o de deixar a vontade passar
Para evitar o enlouquecer.
Ser tomada pela loucura e pela emoção,
Faz parte de toda a razão
Do não ter medo de viver.

12 de nov. de 2009

Ao tempo


Que o tempo seja generoso
E me estenda um tapete de dias
Por onde eu possa andar tranqüilamente...
Não me sinto cansada,
Adoro caminhar pela vida!
Que meu tempo seja longo,
Que sempre adie a minha partida...

Explosão de luz


Sinto o seu perfume no ar suspenso,
O sabor da sua boca na minha...
Então eu penso:
Será este o amor?
Por que quando estou sozinha
Meu corpo pede o seu calor?
Enquanto eu penso,
A saudade me toma progressivamente...
Será este o amor?
Será assim que a gente o sente?
A noite se esvai e eu pensando...
A granada do sol rompe à nascente,
A manhã chega se espreguiçando,
A sombra da noite se reduz...
E você chega como o sol,
Estraçalhando uma imensa explosão de luz.

13 de out. de 2009

Quero me molhar


Quero um vendaval,
Uma torrente que me arraste!
Que vença as minhas forças,
Que me molhe inteira!
Saí debaixo do telhado,
Desprovida de capa e guarda-chuva...
Quero ser completamente inundada!
Afogar-me...
Molhar-me inteira!
Preciso de tempestade...
Não de nuvem passageira.

Infeliz daquele que não ousa


O princípio ativo da felicidade
É a coragem!
Infeliz daquele que não ousa...
E se esconde na armadura do medo
Carregando o seu enorme peso!

Descaminhos da razão




Vivo uma interna revolução
A caminho da evolução...
Vivendo plena de sensação
Sempre tropeço na imaginação.
Divido-me entre o sim e não,
Mas acabo me jogando na situação...
Porque quando se trata de emoção,
Só encontro descaminhos em minha razão.

6 de out. de 2009

Intensidade


Quando fecho os meus olhos,
Ainda posso vê-lo...
Ah como lhe quero!
Que vontade infida de tê-lo!
E essa saudade,
É só a dor que antecede a liberdade,
Como o brotar de asas rasgando a carne
Para ganhar o céu em êxtase nos seus braços...

Tudo me choca


Tudo me choca!
O amor em sua exaltação...
O tédio em sua aflição...
E o vazio ocupando espaço dentro do coração.

4 de out. de 2009

Retalhos da minha alma


Os versos que escrevo vez em quando,
São retalhos da minha alma
Que com a agulha do ideal vou costurando...
Na esperança de que um dia
Eu tenha uma colcha imensa de poesia...
Um verso,
Outro verso
E enfim, um bando!
E minha alma quem diria?
Com os pedaços da minha fantasia
Vai um mosaico formando...
Às vezes calmo,
Às vezes confuso o que componho...
Vou costurando assim,
Dispersos os meus sonhos.
E embora os deixe assim dispersos,
Vou desenhando o retrato da minha alma
Como quem faz uma colcha com versos!

O gato da vizinha


O gato preto da minha vizinha
Insistia em miar no meu telhado,
Tirava-me o sono,
Aquele danado!
Eu jogava água fria,
Ele saia assustado...
Mas sempre aparecia
Miando de novo no meu telhado.
Um dia ele encontrou minha janela aberta...
Danado!
Seu atrevimento foi tamanho,
Que acabei me encantando pelo bichano
E me rendendo aos seus afagos.
No dia seguinte,
Até comprei ração!
Ele passou a entrar
E comer na minha mão.
Sempre que a vizinha chamava
Se o gato não fosse embora,
Eu mesma o enxotava.
Sabia que o gato não era meu,
Eu juro!
Então o ensinei a parar de miar no telhado,
E miar em cima do muro.

25 de set. de 2009

Poema sem nome

Quando abri os meus olhos,
Era noite...
E a dor se debruçava sobre as minhas retinas cansadas.
Deixei sua claridade invadir minha alma
Como gritos de festa...
Cravando os seus punhais de luz,
Como as clareiras rasgam lâminas de luz
No corpo da floresta.
Senti nos profundos mistérios do meu ser,
Um estranho rumor de asas ruflando
Que brotava na sombra da sua luz
E me rasgava o chão.
E vi minha alma ganhando o céu...
Nas asas da imaginação.
Minha alma fugiu!
Pobre alma sonhadora...
Fugiu como foge sempre ante a luz do seu olhar...
Na ilusão de subir... e não precisar pousar jamais!
Mas pousou...
Solitária e estática em uma catedral vazia
Onde agora, só ecoa a luz mortiça dos vitrais.

20 de set. de 2009

Amiga


Tomou-me a alma,
Uma sensação de alegria,
Uma tranqüilidade,
Uma harmonia...
Uma nova visão se abriu diante de mim
E consegui vê-la com olhos de sinceridade.
Sempre procurei, mas nunca encontrei de verdade.
Alguns me cobravam com capa de desconfiança,
Outros me jogavam no precipício da falsidade...
Aí surgistes simples,
Com tua força infinita!
Como ponto de destaque na multidão!
Motivando com zelo a quem estimas...
Hoje me toma a alma
Uma sensação de completude, de felicidade...
Posso afirmar com segurança que tenho amigos!
Graças à força da tua amizade.

Bem me quer... mal me quer...


Bem me quer...
Mal me quer...
Bem me quer...
Mal me quer...
Bem me quer...
Mal me quer...
Vou puxando...
Pétala por pétala,
Indagando;
Bem me quer...
Mal me quer...
Bem me quer...
Mal me quer.
Até perceber que não há mais nada!
Além de uma flor nua,
Totalmente despetalada...

Meu jeito de amar


Meu jeito de amar é mesmo estranho...
Muita gente não entende
Porque não amo com loucura.
Aprendi com a vida,
Que a sensatez é mais segura,
E que dosando razão e emoção,
Extrai-se o melhor dessa mistura.
Não entrego tudo o que há em meu coração,
Entrego apenas o que recebo em troca.
É preciso mesclar loucura com pensamentos sãos,
Para que o amor próprio, não me falte.

19 de set. de 2009

Dor


Fonte infinda que mina dos olhos...
No leito... as águas,
Que deságuam sofrimento.
A fronha... molhada,
Testemunhando o meu lamento.

18 de set. de 2009

Fim


No asfalto quente,
O sangue do homem escorria...
Confirmando que sua vida se foi.
Entre as pernas de sua mulher,
O sangue e a esperança escorriam...
Comprovando que nenhuma vida deixou.

Voracidade


Às escondidas,
Lambendo-me toda,
Invadia-me...
E eu,
Vadiamente,
Abrindo todas as portas que havia em mim,
Apresentei-me...
Cômodo por cômodo,
Permitindo a invasão,
Completamente entorpecida pela voracidade...

Pigmentação


Meu passado?
Negro!
Que plantando suas raízes em mim,
Fez brotar a mais linda flor parda!
Meu presente?
Negro!
Misturando-se
À minha pele pálida...
Meu futuro?
Espero que seja negro!
Para garantir as minhas noites cálidas...

Terra de ninguém


Sexo,
A gente acha em qualquer lugar...
Difícil é encontrar alguém
Que valha a pena amar...
E o amor,
A famosa “terra de ninguém”,
Quando menos se espera,
A gente já o tem...
Eu não blindo o meu peito
E ainda me acho no direito
De me achar protegida!
É que quando me sinto atingida,
Sempre busco um jeito
De encontrar uma saída.
Tenho parceiros camicases...
Ainda esperam que um dia
Eu novamente me case.
Pode ser...
Quem sabe?
Não quero cuspir pra cima
E me afogar em minha tempestade.

14 de set. de 2009

O velho que um dia quis ser criança


O velho que um dia quis ser criança,
Hoje amargurado
Inventa a sua infância...
Com os pés descalços,
Cresceu em um mundo limitado.
Filho de uma lavadeira
E de um pai bêbado;
Não tinha brinquedo,
Não tinha sossego...
E foi mandado para um orfanato.
Lá sozinho,
Teve que crescer muito cedo
E enfrentar os seus medos.
Era tão pobrezinho...
Pobrezinho financeiramente,
Pobrezinho de família,
Pobrezinho de alma,
Pobrezinho de mente...
O mundo o fez ter piedade de si mesmo.
O tempo passou e menino tornou-se homem,
E homem, constituiu família,
Mas ainda se achando um pobre coitado,
Esqueceu-se de olhar para os lados,
Estacionou,
Permaneceu parado
Enquanto a vida passou...
Agora velho e cansado,
Inventa que foi poeta,
Príncipe encantado,
Que trabalhou no teatro
Que foi jogador,
Soldado
E até doutor...
Assim vai colorindo o seu passado...
Tentando aliviar a sua dor.

12 de set. de 2009

Testamento


Quando tudo findar
E a morte com sua foice
Vier me buscar,
Certamente ao lerem estas palavras,
Poderão se assustar...
Até irão se perguntar:
Como isso é possível?
Irei explicar;
É que de acordo com esse testamento,
Depois de partir,
Eu vou querer ficar!
Admito, é estranho,
É um sonho,
Mas os sonhos se tornam reais...
Se eu tiver sorte,
E a ajuda das pessoas queridas,
Irei driblar a morte
E renascer em outra vida!
Não é espiritismo,
Nem reencarnação,
Nada tem haver com religião...
Também não é maluquice!
Minha idéia tem bons fundamentos
E é o desejo do meu coração...
Quero ser cremada!
E com as minhas cinzas em mãos
Quero que plantem uma árvore
E adubem com elas o chão.
Estarei na mistura do solo,
Penetrarei em sua raiz
Como um espermatozóide
E tendo a vida como força motriz
Eu me tornarei árvore!
Estarei nela e ela em mim,
Livre da escuridão de um jazigo de mármore,
Não terei um triste fim.
Serei árvore!
Estarei sempre perto de vocês...
E assim
Poderão subir em meu tronco,
Comer do meu fruto,
Brincar com minhas folhas
E repousar em minha sombra.
Poderão ouvir a poesia que sairá de mim,
Quando o vento balançar os meus galhos,
Quando os pássaros cantarem sobre mim.
Poderão abraçar-me quando a saudade apertar
E sentir em forma energia
Todo amor que aqui irei deixar.

10 de set. de 2009

Às más línguas


Pessoas frustradas e infelizes,
Gostam de inventar contos
Sobre a vida alheia...

Pessoas frustradas e infelizes,
Sentem prazer em aumentar um ponto
Só pra ver se o circo incendeia...

Pessoas frustradas e infelizes,
Usam a linguagem de um modo torto,
Jogando nos olhos da verdade, areia...

Pessoas frustradas e infelizes,
São incapazes de enxergar no sexo oposto,
Uma amizade verdadeira.