28 de fev. de 2010

Às vezes...



Às vezes o desânimo e falta de fé
tomam conta do meu pensamento
como ervas daninhas,
sufocando as flores dentro de mim...


Às vezes não vejo luz no meu jardim...
Tudo fica sombrio como noite sem luar,
E até posso sentir o orvalhar
como açoite cortando-me a alma...


Às vezes não existe calma...
O coração bate descompassado,
enquanto o semblante já cansado,
se põe a sorrir tentando disfarçar.


Às vezes,
fica muito difícil sonhar...

19 de fev. de 2010

Esquecer




Talvez esquecer seja tão complexo,
que a tentativa de esquecer
tenha o peso da lembrança
em todos os passos do esquecimento.


Talvez o esforço de esquecer seja tão imenso,
que a imensurável lembrança
se faça presente a todo momento.


E talvez, as lembranças estejam tão vivas,
que na morte de alguma delas,
os fantasmas permaneçam...
trazendo novamente a tona
a lembrança de tudo o que foi vivido.


Talvez o esquecer não seja um dom espontâneo.
Seja apenas um desejo momentâneo
de se estancar o sofrimento.

15 de fev. de 2010

E agora José?



E agora José?
O tempo passou,
a paixão não findou,
o sentimento aumentou,
alguém vacilou,
a casa caiu...
nada morreu,
até ressuscitou,
e o que não completava
hoje transbordou?

E agora José?
Hoje está dividido,
cerceado, oprimido
e sem a liberdade
nada mais faz sentido.
Quer sair,
não consegue
quer falar
já não pode
as paredes tem ouvidos
e as lágrimas te comovem...

E agora José?
A festa acabou?
Nada adiantou,
a dor aflorou,
a raiva surgiu,
o amor não bastou,
livrou-se da culpa,
mas não perdoou,
pensou em deixar,
mas no fim se entregou...

E agora José?
Escolher já não queres
ama as duas mulheres
e pra se completar
tenta conciliar?
Relaxa José...
Não sejas tão duro!
Não precisa de chaves
quando se está no muro.
Segue a marcha José!
Sabes exatamente pra onde.

14 de fev. de 2010

Desbravando



Percorro os caminhos sinuosos o seu corpo...
completamente perdida...
Sem limites,
sem saída...
Banho-me na cascata de sua saliva
e me permito queimar
nas constantes erupções de sua região vulcânica.
Me sinto rodopiar em um turbilhão
quando me deixo levar pela correnteza de suas mãos...
Morro sem ar,
perco o chão...
e renasço novamente,
desbravando os caminhos da nossa paixão.

Enquanto você dormia...



Eu sonhava acordada enquando você dormia,
tamanha a felicidade em meu coração!
E o seu roncar me soava como uma sinfônia,
era a trilha sonora da satisfação!


Sabia que assim que acordasse você partiria,
mesmo com toda a força da minha oração...
e na esperança de prolongar minha alegria,
fiquei armazenando o seu cheiro em meu pulmão...


O relógio avançava com voracidade,
como um ditador do tempo cruel e insensível.
Sobre mim debruçava o peso da saudade,


anunciando o fim daquela noite aprazível.
Desejei ter em minhas mãos a eternidade
E ver meu sonho de amor tornado possível.

Passageira...



No passado fui permanente,
mas fui passada para trás...
Por isso decidi ser passageira,
e não me apegar mais.

Segui meu caminho...
passageira...
Como quem sai de viagem
apenas apreciando a paisagem.

Parando,
curtindo,
experimentando,
e partindo...

Passageira...
Quando gostava muito de algum lugar,
Sentia a necessidade de partir
só pelo medo de desejar ficar.

Fugindo do amor...
Como quem pega o trem da vida clandestinamente...
E tem que pular de vagão em vagão
tentando fugir do bilheteiro...

E fiz do meu presente,
sempre passageiro...
Denominando meu medo
de auto domínio, auto confiança...

Sem apego,
sem parada,
sem destino,
sem aliança...

Hoje, traída pelo meu próprio desejo,
Tenho um coração que apenas obedece ao que sente...
Já não ouve mais a minha razão
e insiste em fazer de mim permanente.

Abandono



...mais um dia passou
sem um gesto,
sem uma palavra...
A noite passou...
e nenhum gesto,
nenhuma palavra...
E assim a madrugada também chegou
sem nenhum gesto,
sem ao menos uma palavra.
Outro dia nasceu,
o sol sorriu,
um pássaro cantou,
mas nada nutriu,
nada acalmou...
Outro dia passou
e mais uma vez
o silencio se fez.
Nenhum gesto...
Nenhuma palavra...
O coração constrangeu,
Uma lágrima rolou...
Meus dias já não são os mesmos
depois que o amor se calou.

16 de nov. de 2009

Juntos


Quandopenso...
Estamosjuntos.


Quandosinto...
Estamosjuntos.


Quandoperto...
Estamosjuntos.



Quando


longe...


Estamosjuntos.

13 de nov. de 2009

Egoísmo


Minha poesia egoísta
Vomita minhas dores,
Fala dos meus temores,
Exalta os meus amores...

Me encontro perdida
Nesse meu pequeno e egoísta eu!
Ignorando os males do mundo,
Desse imundo e perdido mundo.

Como quem tenta tapar o cinza
Com cor de rosa.

Viver a loucura


Tolice é deixar a vida passar sã...
A loucura é que me faz segura de saber viver.
E o maior motivo que existe para se arrepender,
É o de deixar a vontade passar
Para evitar o enlouquecer.
Ser tomada pela loucura e pela emoção,
Faz parte de toda a razão
Do não ter medo de viver.

12 de nov. de 2009

Ao tempo


Que o tempo seja generoso
E me estenda um tapete de dias
Por onde eu possa andar tranqüilamente...
Não me sinto cansada,
Adoro caminhar pela vida!
Que meu tempo seja longo,
Que sempre adie a minha partida...

Explosão de luz


Sinto o seu perfume no ar suspenso,
O sabor da sua boca na minha...
Então eu penso:
Será este o amor?
Por que quando estou sozinha
Meu corpo pede o seu calor?
Enquanto eu penso,
A saudade me toma progressivamente...
Será este o amor?
Será assim que a gente o sente?
A noite se esvai e eu pensando...
A granada do sol rompe à nascente,
A manhã chega se espreguiçando,
A sombra da noite se reduz...
E você chega como o sol,
Estraçalhando uma imensa explosão de luz.

13 de out. de 2009

Quero me molhar


Quero um vendaval,
Uma torrente que me arraste!
Que vença as minhas forças,
Que me molhe inteira!
Saí debaixo do telhado,
Desprovida de capa e guarda-chuva...
Quero ser completamente inundada!
Afogar-me...
Molhar-me inteira!
Preciso de tempestade...
Não de nuvem passageira.

Infeliz daquele que não ousa


O princípio ativo da felicidade
É a coragem!
Infeliz daquele que não ousa...
E se esconde na armadura do medo
Carregando o seu enorme peso!

Descaminhos da razão




Vivo uma interna revolução
A caminho da evolução...
Vivendo plena de sensação
Sempre tropeço na imaginação.
Divido-me entre o sim e não,
Mas acabo me jogando na situação...
Porque quando se trata de emoção,
Só encontro descaminhos em minha razão.

6 de out. de 2009

Intensidade


Quando fecho os meus olhos,
Ainda posso vê-lo...
Ah como lhe quero!
Que vontade infida de tê-lo!
E essa saudade,
É só a dor que antecede a liberdade,
Como o brotar de asas rasgando a carne
Para ganhar o céu em êxtase nos seus braços...

Tudo me choca


Tudo me choca!
O amor em sua exaltação...
O tédio em sua aflição...
E o vazio ocupando espaço dentro do coração.

4 de out. de 2009

Retalhos da minha alma


Os versos que escrevo vez em quando,
São retalhos da minha alma
Que com a agulha do ideal vou costurando...
Na esperança de que um dia
Eu tenha uma colcha imensa de poesia...
Um verso,
Outro verso
E enfim, um bando!
E minha alma quem diria?
Com os pedaços da minha fantasia
Vai um mosaico formando...
Às vezes calmo,
Às vezes confuso o que componho...
Vou costurando assim,
Dispersos os meus sonhos.
E embora os deixe assim dispersos,
Vou desenhando o retrato da minha alma
Como quem faz uma colcha com versos!

O gato da vizinha


O gato preto da minha vizinha
Insistia em miar no meu telhado,
Tirava-me o sono,
Aquele danado!
Eu jogava água fria,
Ele saia assustado...
Mas sempre aparecia
Miando de novo no meu telhado.
Um dia ele encontrou minha janela aberta...
Danado!
Seu atrevimento foi tamanho,
Que acabei me encantando pelo bichano
E me rendendo aos seus afagos.
No dia seguinte,
Até comprei ração!
Ele passou a entrar
E comer na minha mão.
Sempre que a vizinha chamava
Se o gato não fosse embora,
Eu mesma o enxotava.
Sabia que o gato não era meu,
Eu juro!
Então o ensinei a parar de miar no telhado,
E miar em cima do muro.

25 de set. de 2009

Poema sem nome

Quando abri os meus olhos,
Era noite...
E a dor se debruçava sobre as minhas retinas cansadas.
Deixei sua claridade invadir minha alma
Como gritos de festa...
Cravando os seus punhais de luz,
Como as clareiras rasgam lâminas de luz
No corpo da floresta.
Senti nos profundos mistérios do meu ser,
Um estranho rumor de asas ruflando
Que brotava na sombra da sua luz
E me rasgava o chão.
E vi minha alma ganhando o céu...
Nas asas da imaginação.
Minha alma fugiu!
Pobre alma sonhadora...
Fugiu como foge sempre ante a luz do seu olhar...
Na ilusão de subir... e não precisar pousar jamais!
Mas pousou...
Solitária e estática em uma catedral vazia
Onde agora, só ecoa a luz mortiça dos vitrais.

20 de set. de 2009

Amiga


Tomou-me a alma,
Uma sensação de alegria,
Uma tranqüilidade,
Uma harmonia...
Uma nova visão se abriu diante de mim
E consegui vê-la com olhos de sinceridade.
Sempre procurei, mas nunca encontrei de verdade.
Alguns me cobravam com capa de desconfiança,
Outros me jogavam no precipício da falsidade...
Aí surgistes simples,
Com tua força infinita!
Como ponto de destaque na multidão!
Motivando com zelo a quem estimas...
Hoje me toma a alma
Uma sensação de completude, de felicidade...
Posso afirmar com segurança que tenho amigos!
Graças à força da tua amizade.

Bem me quer... mal me quer...


Bem me quer...
Mal me quer...
Bem me quer...
Mal me quer...
Bem me quer...
Mal me quer...
Vou puxando...
Pétala por pétala,
Indagando;
Bem me quer...
Mal me quer...
Bem me quer...
Mal me quer.
Até perceber que não há mais nada!
Além de uma flor nua,
Totalmente despetalada...

Meu jeito de amar


Meu jeito de amar é mesmo estranho...
Muita gente não entende
Porque não amo com loucura.
Aprendi com a vida,
Que a sensatez é mais segura,
E que dosando razão e emoção,
Extrai-se o melhor dessa mistura.
Não entrego tudo o que há em meu coração,
Entrego apenas o que recebo em troca.
É preciso mesclar loucura com pensamentos sãos,
Para que o amor próprio, não me falte.

19 de set. de 2009

Dor


Fonte infinda que mina dos olhos...
No leito... as águas,
Que deságuam sofrimento.
A fronha... molhada,
Testemunhando o meu lamento.

18 de set. de 2009

Fim


No asfalto quente,
O sangue do homem escorria...
Confirmando que sua vida se foi.
Entre as pernas de sua mulher,
O sangue e a esperança escorriam...
Comprovando que nenhuma vida deixou.

Voracidade


Às escondidas,
Lambendo-me toda,
Invadia-me...
E eu,
Vadiamente,
Abrindo todas as portas que havia em mim,
Apresentei-me...
Cômodo por cômodo,
Permitindo a invasão,
Completamente entorpecida pela voracidade...

Pigmentação


Meu passado?
Negro!
Que plantando suas raízes em mim,
Fez brotar a mais linda flor parda!
Meu presente?
Negro!
Misturando-se
À minha pele pálida...
Meu futuro?
Espero que seja negro!
Para garantir as minhas noites cálidas...

Terra de ninguém


Sexo,
A gente acha em qualquer lugar...
Difícil é encontrar alguém
Que valha a pena amar...
E o amor,
A famosa “terra de ninguém”,
Quando menos se espera,
A gente já o tem...
Eu não blindo o meu peito
E ainda me acho no direito
De me achar protegida!
É que quando me sinto atingida,
Sempre busco um jeito
De encontrar uma saída.
Tenho parceiros camicases...
Ainda esperam que um dia
Eu novamente me case.
Pode ser...
Quem sabe?
Não quero cuspir pra cima
E me afogar em minha tempestade.

14 de set. de 2009

O velho que um dia quis ser criança


O velho que um dia quis ser criança,
Hoje amargurado
Inventa a sua infância...
Com os pés descalços,
Cresceu em um mundo limitado.
Filho de uma lavadeira
E de um pai bêbado;
Não tinha brinquedo,
Não tinha sossego...
E foi mandado para um orfanato.
Lá sozinho,
Teve que crescer muito cedo
E enfrentar os seus medos.
Era tão pobrezinho...
Pobrezinho financeiramente,
Pobrezinho de família,
Pobrezinho de alma,
Pobrezinho de mente...
O mundo o fez ter piedade de si mesmo.
O tempo passou e menino tornou-se homem,
E homem, constituiu família,
Mas ainda se achando um pobre coitado,
Esqueceu-se de olhar para os lados,
Estacionou,
Permaneceu parado
Enquanto a vida passou...
Agora velho e cansado,
Inventa que foi poeta,
Príncipe encantado,
Que trabalhou no teatro
Que foi jogador,
Soldado
E até doutor...
Assim vai colorindo o seu passado...
Tentando aliviar a sua dor.

12 de set. de 2009

Testamento


Quando tudo findar
E a morte com sua foice
Vier me buscar,
Certamente ao lerem estas palavras,
Poderão se assustar...
Até irão se perguntar:
Como isso é possível?
Irei explicar;
É que de acordo com esse testamento,
Depois de partir,
Eu vou querer ficar!
Admito, é estranho,
É um sonho,
Mas os sonhos se tornam reais...
Se eu tiver sorte,
E a ajuda das pessoas queridas,
Irei driblar a morte
E renascer em outra vida!
Não é espiritismo,
Nem reencarnação,
Nada tem haver com religião...
Também não é maluquice!
Minha idéia tem bons fundamentos
E é o desejo do meu coração...
Quero ser cremada!
E com as minhas cinzas em mãos
Quero que plantem uma árvore
E adubem com elas o chão.
Estarei na mistura do solo,
Penetrarei em sua raiz
Como um espermatozóide
E tendo a vida como força motriz
Eu me tornarei árvore!
Estarei nela e ela em mim,
Livre da escuridão de um jazigo de mármore,
Não terei um triste fim.
Serei árvore!
Estarei sempre perto de vocês...
E assim
Poderão subir em meu tronco,
Comer do meu fruto,
Brincar com minhas folhas
E repousar em minha sombra.
Poderão ouvir a poesia que sairá de mim,
Quando o vento balançar os meus galhos,
Quando os pássaros cantarem sobre mim.
Poderão abraçar-me quando a saudade apertar
E sentir em forma energia
Todo amor que aqui irei deixar.

10 de set. de 2009

Às más línguas


Pessoas frustradas e infelizes,
Gostam de inventar contos
Sobre a vida alheia...

Pessoas frustradas e infelizes,
Sentem prazer em aumentar um ponto
Só pra ver se o circo incendeia...

Pessoas frustradas e infelizes,
Usam a linguagem de um modo torto,
Jogando nos olhos da verdade, areia...

Pessoas frustradas e infelizes,
São incapazes de enxergar no sexo oposto,
Uma amizade verdadeira.

8 de set. de 2009

Homem moleque


Ah moleque atrevido, assanhado!
Que brinca feito criança
No corpo da mulher...
Ah moleque teimoso e levado...
Pensa que me engana!
Saiba que quem brinca com fogo,
Acaba mijando na cama!
Moleque arteiro, astuto, parceiro
Que pula de galho em galho,
Mas sempre volta pro seu poleiro!

Gente sem sorte


Oh gente sem sorte
Que deseja a morte
E a morte não vem.
Oh gente sem sorte
Que até mesmo pra morte
A sorte não tem.

Coisas minhas


Há coisas em mim que são só minhas...
Segredos meus...
Sentimentos,
Sensações,
Impressões...
Tudo muito meu!
Coisas que prefiro guardar...
Então calo,
Evito...
Para não dizer coisas
Que eu não deveria ter dito.
Mas do que adianta fechar a boca
E não comentar,
Se eu tenho mãos teimosas e loucas
Que insistem os meus segredos gritar?
Ah mãos inquietas e fofoqueiras!
Que fazem da caneta um mega-fone
E sempre me jogam na fogueira...

31 de ago. de 2009

Ao Estado, o nosso espírito


A poesia dos Deuses inferiores
Quebrou as correntes da nossa ignorância!
Não queremos mais feitores!
Guarde para si a sua arrogância,
Somos livres agora!
Irmãos guerreiros de Angola
Nesse quilombo chamado Periferia
!
Quem diria?...
É o milagre da poesia,
Recrutando
homens de casas simples
E de almas bravias
A vigiar a paz
Noite e dia
Para que não haja mais guerra
.
Graças a um anjo torto
Aprendemos a caminhar
com o sorriso no rosto,
E com os punhos cerrados!
E agora Estado,
Eis o nosso espírito!
O estado em que nos colocou...
Somos a Periferia unida
Pelo amor, pela dor e pela cor...
Agora,
Somos rocha,
Onde a vida queria grão de areia,
As flores que brotaram no lixão
...
O fruto de um jardineiro louco, desacreditado
Que dispensou a nós toda a sua dedicação.
E agora Estado,
Depois de nos dar migalhas
Quer comer do nosso pão?
Nos
botecos de esquinas,
A vida não acontece por decreto

E a Arte que liberta
Não pode vir da mão que escraviza...
O sonho socializado
Se tornou real
E
no sonho,
O dinheiro foi morto no combate com o amor.

28 de ago. de 2009

Agora


Agora,
A bebida nos entorpece...
Faz de nós loucos amantes
E o agora, já não é como o antes,
O toque de Dionísio, apenas aquece.

Agora,
No lugar da falsa gargalhada,
A mistura dos nossos sentidos;
Toques, cheiros, gostos e o sussurrar nos ouvidos...
Não há vazio, seus olhos fazem dos meus, morada.

Agora,
Tudo mudou afinal!
Aquela casa abandonada e sombria,
Encheu-se de esperança e está repleta de alegria,
Que tenho a sensação de estar em pleno carnaval!

27 de ago. de 2009

Antes


Antes,
A bebida me anestesiava...
Preenchendo momentaneamente
Essa sua presença ausente,
E só assim eu suportava.

Antes,
Minhas falsas gargalhadas
Ecoavam com tristeza em meu vazio,
Em meu vasto coração sombrio,
Como que em casas abandonadas...

Antes,
Procurando uma saída,
Abri os meus braços de amiga,
Como uma porta velha e antiga...
Rangendo, pela ferrugem corroída.

Lid's


Menina leoa com a juba trançada
Rugindo poemas com voz de trovão.
Menina por sonhos alimentada,
Um farol de luz ante a escuridão.

Menina que luta, embora cansada,
Travando batalhas com sua razão.
Com a força do vento foi abençoada
E os ventos do norte dão a direção.

As porradas que recebe da vida
Revelam o dom de sua incrível magia!
O poder de estancar as suas feridas,

E diluir a sua dor em suas alegrias.
Por isso é que amo essa amiga querida,
Essa menina leoa que é toda poesia.

26 de ago. de 2009

Pequenos malabaristas


Hoje eu os vi...
Eles estão no caminho sempre;
É só olhar pela cidade,
Nos semáforos estão presentes...
Fazendo balabarismo,
Chamando a atenção da gente.
Mas temos tantos problemas
Que agimos indiferentes...

Mas hoje eu os vi.
Hoje eu os vi realmente!
Não do jeito que via antes,
Mas com um olhar diferente.
Geralmente eu os via de dentro do carro,
Fechada...
E eles se apresentando nas ruas,
Nas calçadas...

Mas hoje foi diferente
Porque estavam muito próximos de mim.
Estávamos no mesmo ônibus
Voltando para casa...
Enfim,
Pude ver seus olhinhos brilhantes,
Ouvir suas risadas escachadas...
Mas riam de suas tristezas
E não de coisas engraçadas.

Riam do frio que sentiam,
Riam da falta de carinho,
De um menino que comia no Mc’ Donald’s
E não ofereceu nem um pedacinho...
Ah! Eles riam de tudo...
Até a fome era piada...
E nem ligavam pro desconforto
Daquela condução lotada.

Foi então que me dei conta
Da minha alienação...
Eram apenas crianças lutando pra ter o pão!
Senti o coração apertado
Batendo dentro do peito,
Vontade de mudar o mundo,
Mas só, não tinha jeito...
E essa minha medíocre impotência,
Enojava todo o meu ser!
Vendo tudo tão errado,
Sem nada poder fazer...

23 de ago. de 2009

O amor verdadeiro


Achar que um amor verdadeiro não morre,
É um engano...
Não cuide dele pra ver!
O amor verdadeiro é vivo,
Nasce espontaneamente,
Cresce... e também pode morrer.
Surge como semente,
Sujeito a transformações...
E é como um ser independente,
Não obedece a ordenações.
Com o tempo,
Pode sofrer metamorfoses,
Virar amizade, ódio, desprezo, tormento...
Pode até disfarçar-se de outros sentimentos!
Mas uma vez plantado,
Morre se não for cultivado.
O solo não interfere em sua longevidade...
Mas quem jogou a semente,
Fica com a responsabilidade.
Por isso,
Não prometa amor eterno,
É antiético!
Amor eterno é como flor de plástico,
Irreal, sintético.
Seja como for...
O que se espera de um amor bem cuidado,
É a perda da própria vida,
Antes da perda do amor.

Meu deserto


Ao atravessar meu deserto,
Vi em você o Oasis...
Feliz, achando minha salvação,
Continuei caminhando o meu deserto
Sedenta em sua direção...
Quanto mais me aproximava,
Mais distante ficava...
Atirei-me com coragem!
Ilusão...
Senti apenas a areia
Escapando pelos vãos da minha mão...
Era só uma miragem...

22 de ago. de 2009

Olhos nos olhos


Fecho os meus olhos, procuro não ver
E em meu pensamento, vejo você.
Abro os meus olhos e não posso crer,
Seus olhos nos meus, buscando um por quê.

Parece loucura o meu sangue a ferver...
Por que tanto olha buscando um por quê?
Quem sou eu pra explicar esse louco poder?
Essa fixação me prendeu a você.

Nas suas palavras, o gosto do fel...
Nos seus olhos uma contradição,
Um convite, passaporte pro céu...

Seu ato verbal atrapalha a emoção;
E eu calo a sua boca e arranco o seu mel,
Sem dar espaço para a sua razão.

20 de ago. de 2009

É inútil...


A tentativa de nos mantermos afastados,
Longe corporeamente...
Não tem funcionado...
Sinto que caminhamos juntos mentalmente...
Tentamos nos esquecer em outros casos,
Mas um no outro ainda se faz presente...

Eu que era tão inconstante!
E você com sua rotina de amante...
Assim, de repente...
Sem conseguir fugir do que sente...
E eu assim, em suas mãos, presa, tão vulnerável...

É um magnetismo que nos arrasta,
Uma vontade que não passa...
E uma fuga que sempre termina
Na nossa respiração descompassada,
Com línguas e mãos afobadas...
Braços em abraços,
Pernas entrelaçadas...

Juntos pela mesma emoção,
E sempre divididos por uma única razão:
Querer não é poder!
Assim como querer é poder...
Mas... quem sabe com certeza pra dizer?
Não conseguimos nem usar adequadamente ambas as frases!
É inútil!

Por fim,
Parafraseamos tudo o que na verdade não sentimos...
Em um jogo de autodomínio,
Não nos assumimos...
E presunçosos,
Ignoramos o ardor no peito,
Tentamos desviar o pensamento,
Lutando contra toda essa intensidade...

18 de ago. de 2009

Alimento de poeta


Devorei mais um livro!...
Agora, tenho minha alma poética alimentada!
E quando achar-me novamente esfomeada,
Servir-me-ei do banquete das palavras até sentir-me saciada!

Um poeta que se preze
Deve armazenar mantimentos:
Sonhos, pôr-do-sol, luar, ventos...
Tudo pode faltar, menos os sentimentos.

Então, que fiquem na minha estante
Como alimento trivial para alma e inspiração,
Já que livros são considerados por mim refeição,
Na mesa da minha poesia, não há de faltar o pão!

O Craque


Droga!
Há treze anos minha família morreu...
Foi quando meu irmão virou craque.
Ele nunca foi um grande jogador...
Mas encontrou pedras no caminho
E se perdeu...
Droga!
Ele virou craque.
Dizem que vida de craque é curta,
Que dura em média cinco anos.
Que grande engano!
Lutamos juntos há dezessete anos
E há treze, estamos todos mortos...
Sem direito ao céu,
Sem purgatório...
Droga!
Agora...
Vivemos todos no inferno!

17 de ago. de 2009

Eternizando...


Disparei a escrever versos sobre nós...
Acho que nunca estive tão inspirada!
Ainda sinto o teu cheiro, ouço a tua voz,
Sinto tua pele na minha colada...

Então minha caneta corre veloz...
Lembranças que me deixam extasiada.
A doce paixão vivida por nós,
Ficará no papel eternizada!

Pois se o tempo apagar, posto que é chama...
Há de ser sempre a lembrança querida!
A história de quem vence o medo e ama,

Deixo com detalhes enriquecida.
Não é mais um ímpeto de paixão insana...
Só quero que jamais seja esquecida.

Tormento


Vesti armadura após minhas batalhas...
Depois de estar ferída e derrotada
Corri e singi meu peito amedrontada.
Só tive meus filhos como medalhas.

E achando-me segura e bem armada,
Saí me aventurando em novas batalhas.
Mas você derrubou minhas muralhas...
Desarmou-me, deixou-me apaixonada !

Me vejo agora a um passo da loucura...
Aprisionada pelos pensamentos
A recordar nossa feliz ventura.

Sigo a tratá-lo com comedimento,
E vou correspondendo a sua ternura.
O medo de perde-lo é o meu tormento.

13 de ago. de 2009

Minha melhor amiga!


Tudo que sou, devo a minha mãe.
Estamos ligadas por um forte nó.
O cordão umbilical foi rompido apenas na matéria,
Ainda somos quase uma só.
Guardiãs dos nossos segredos,
Reclamados e cobiçados a esmo por toda a família...
Quando nos pegam de risos e cochichos
Transbordam em ciúme feito bichos,
Mas não tem jeito...
Somos mais que mãe e filha!
Somos amigas, cúmplices, parceiras...
O alicerce da família!

Das histórias da sua infância,
Lembro-me de como transformava tudo com criatividade,
Mangas que viravam boizinhos,
Pedaços de paus em comadre e compadre.
Sempre cheia de responsabilidade...
Pequena, cuidava do almoço da família,
Criava a irmã caçula como se fosse filha;
E mesmo desenvolvendo maturidade desde a tenra idade,
Nunca deixou de ser criança!
O tempo insistiu em branquear os seus cabelos,
Mas o espírito em uma eterna infância,
Ainda vive a sonhar, ainda sonha a brincar...
Ainda nos enche de esperança!

A mãe que gritava com o chinelo na mão...
Um chinelo ameaçador!
Não batia... só impunha respeito
Tamanho era seu amor!
Brincava com a gente, ajudava com a lição...
Lia pra gente Eça, Machado, Jorge Amado...
Dando ênfase com comentários
Tentando prender nossa atenção...
Apresentou-me a poesia nos livros de JG.
O carimbo da biblioteca indicava que gostava tanto do livro
Que nem voltou para devolver...
E pela sua admiração e incentivo,
Comecei também a escrever.

Tudo que sou devo a minha mãe!
Um dia, vou ser tão grande quanto ela!
Em estatura, já sou maior...
Mas quando eu conseguir alcançar a grandeza de sua alma
Tenho certeza que serei alguém melhor!

12 de ago. de 2009

Amigos


Amores de paixão vêm e vão...
Mas os amigos, sempre ficam.
Independe de se estar bem ou não,
Garantem luz na escuridão.
O amor que nasce da amizade,
Sempre abre possibilidades de uma eterna união.

A história das drogas


Era uma vez...
Era só mais uma vez...
Era a última vez.
Era só desta vez...
Era outra vez
E outra,
E outra...
Eram várias vezes,
Eram muitas vezes...
Foi se repetindo...
Foi-se uma vida!